Imagine a seguinte situação: uma cidadã brasileira é espancada e assaltada. O pensamento lógico é que os culpados - foram cinco rapazes - paguem na cadeia pelo crime. Pois é, mas não foi bem isso que aconteceu. Rodrigo dos Santos Bassalo da Silva (estudante de turismo, 21 anos) e Leonardo Pereira de Andrade (técnico de informática, 19 anos) vão pagar em regime semi-aberto. Ou seja, dormem na cadeia e só.
Relembremo-nos do lamentável episódio que marcou a vida da doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, 32 anos, para sempre.
Era o dia 23 de junho de 2007. A trabalhadora estava no ponto de ônibus às 4h 50min, na Avenida Lúcio Costa, em frente ao condomínio Summer Dream, onde ganha seu sustento. Naquele momento, um Gol preto parou e quatro homens saltaram. Segundo a vítima, eles puxaram a bolsa onde ela guardava o celular que não havia terminado de pagar, R$ 47,00, o pedido de um exame médico e seus documentos; No momento em que ela desequilibrou e caiu - eles agiram com tremenda violência ao arrancar a bolsa -, foi surpreendida por socos e chutes. De acordo com o depoimento de Sirlei, os rapazes chegaram a agredir duas senhoras que estavam no mesmo posto que ela.
Um taxista que passava no local, presenciou o acontecido e anotou a placa do carro onde se encontravam os agressores. Os patrões acompanharam a doméstica à 16ª DP, mas os policiais os aconselharam a levá-la para um hospital primeiro, pois ficaram impressionados com os ferimentos.
Felippe de Macedo Nery Neto (estudante de administração, 20 anos), proprietário do veículo, afirmou não ter saído do carro e ser o único sóbrio no grupo de cinco amigos.
Além dos dos três já citados no texto, os outros são: Rubens Arruda (estudante de direito, 19 anos) e Júlio Junqueira ( estudante de gastronomia, 21 anos).
Um deles ainda disse pensar que Sirlei fosse prostituta. Pergunto a vocês: Onde eles estão agora? Tive notícia apenas de dois deles, os que pegaram regime semi-aberto.
Cinco rapazes que fazem faculdade - um deles de direito. Imagine só! - , classe média e instruídos. Me pergunto se um homem - apenas um - de classe pobre mesmo, tivesse assaltado uma mulher, levando o celular dela e alguém o identificasse. Mesmo sem ter tocado na vítima. Levado o aparelho telefônico e pronto. Ele seria condenado, não é verdade?
E aí, senhores da lei? A justiça é realmente igual para todos?
quinta-feira, 19 de março de 2009
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